Nº 4 – Fevereiro 2023

0,71 — Ela entrou e disse: “Tu usas fuck-me shoes?!”
Artes Visuais
Bárbara Reis

0,71 — Ela entrou e disse: “Tu usas fuck-me shoes?!”

Os sapatos vermelhos são uma coisa nos pés de uma menina e outra completamente diferente nos pés de uma mulher. Aos cinco anos, são a melhor escolha para ir a uma festa de família ou à Missa do Galo. A partir dos 20, roçam o mau gosto. Se forem de salto alto, são provocadores. Se forem de salto-agulha — os stiletto —, abre-se a porta do herético. Chegados aqui, há duas possibilidades: se a mulher

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Da série personagens esquecidas de Portugal (1): Eduarda D’Orey e Abreu
Literatura
Filipe Nunes Vicente

Da série personagens esquecidas de Portugal (1): Eduarda D’Orey e Abreu

Figura incontornável da pós-modernização portuguesa. Lisboeta de pouso, nascida no Ribatejo (Santarém, 1961) e em berço fidalgo, cedo arregaçou as mangas. Foi para Londres estudar arte de rua e de instalação com apenas dezoito anos.  Ungida desde cedo com preocupações sociais, recusou candidatar-se a bolsa ou sequer receber ordenado. Numa entrevista à revista K, conduzida por Rui Zink (1991), explicou: ”Com tantos desempregados e imigrantes, não creio ter o direito de roubar o pão a quem dele precisa” (as citações

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És Um Jardim Fechado, Minha Irmã E Minha Esposa, Um Jardim Fechado, Uma Fonte Selada.*
Artes Visuais
João Amaro

És Um Jardim Fechado, Minha Irmã E Minha Esposa, Um Jardim Fechado, Uma Fonte Selada.*

O jardim não é, pois, a pequena forma de paisagem, ele tem o seu esquema simbólico próprio. Na perspectiva do otium, ele não é a redução, à escala humana, da generosa Natureza, não mais do que uma metábole ou sinédoque pela qual ela se apresentaria. Muito pelo contrário, é através de uma separação dela que ele se constitui – e quase em sentido oposto. Anne Cauquelin, A Invenção da Paisagem    Aderimos à tese de

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Aventuras da Bélinha e do cão preto
Artes Performativas
Álvaro Domingues

Aventuras da Bélinha e do cão preto

Personagens: um cão de guarda e uma voz humana Época e lugar: lugar sagrado embutido num muro   Cão (momentaneamente sentado por cima das Alminhas): O mundo é um aborrecimento. Quase ninguém passa por este lugar. Contam-me os antepassados que houve tempo em que havia missa todos os dias naquela capela e terço ao fim da tarde; tocava a sineta e quando calhava havia festa e procissão. À vista do nicho aqui por baixo, toda

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Weimar #6
Literatura
José Gardeazabal

Weimar #6

ALTARZINHO – MENTIRA – ANDAR A PÉ – ÓRGÃOS – TRABALHO DIGNO   ALTARZINHO A ideia de um Altarzinho acabou por fazer o seu caminho. Agradava a todos. Longe iam os dias em que o altar era uma nave suspensa num palco imenso, longe iam as plataformas no céu, para sentar os dignitários políticos e espirituais, longe as cascatas povoadas por peixes vermelhos chegados do Japão, longe as bailarinas seminuas, sincronizadas e louras ao som

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0,71 — Ela entrou e disse: “Tu usas fuck-me shoes?!”

0,71 — Ela entrou e disse: “Tu usas fuck-me shoes?!”

Os sapatos vermelhos são uma coisa nos pés de uma menina e outra completamente diferente nos pés de uma mulher. Aos cinco anos, são a melhor escolha para ir a uma festa de família ou à Missa do Galo. A partir dos 20, roçam o mau gosto. Se forem de

Da série personagens esquecidas de Portugal (1): Eduarda D’Orey e Abreu

Da série personagens esquecidas de Portugal (1): Eduarda D’Orey e Abreu

Figura incontornável da pós-modernização portuguesa. Lisboeta de pouso, nascida no Ribatejo (Santarém, 1961) e em berço fidalgo, cedo arregaçou as mangas. Foi para Londres estudar arte de rua e de instalação com apenas dezoito anos.  Ungida desde cedo com preocupações sociais, recusou candidatar-se a bolsa ou sequer receber ordenado. Numa entrevista à revista

Aventuras da Bélinha e do cão preto

Aventuras da Bélinha e do cão preto

Personagens: um cão de guarda e uma voz humana Época e lugar: lugar sagrado embutido num muro   Cão (momentaneamente sentado por cima das Alminhas): O mundo é um aborrecimento. Quase ninguém passa por este lugar. Contam-me os antepassados que houve tempo em que havia missa todos os dias naquela

Weimar #6

Weimar #6

ALTARZINHO – MENTIRA – ANDAR A PÉ – ÓRGÃOS – TRABALHO DIGNO   ALTARZINHO A ideia de um Altarzinho acabou por fazer o seu caminho. Agradava a todos. Longe iam os dias em que o altar era uma nave suspensa num palco imenso, longe iam as plataformas no céu, para

Capa do n.º 4 da Almanaque

Capa do n.º 4 da Almanaque

Capa do Nº 4 da Almanaque, Fevereiro 2023, ilustração de Lia Ferreira e layout de João Lagido.