Nº 7 – Junho 2023

Pim, pam, pum
Literatura
Filipa Melo

Pim, pam, pum

Ao Afonso Praça e ao Fernando Assis Pacheco  Quando se mata, morre-se? Não. Renasce-se. Porque, na verdade, não fui eu quem morreu  há pouco, quando senti o primeiro coice a atingir-me no ombro. O dedo não parou de dar ao  gatilho, duas, três, mais vezes. Os olhos não pararam de ver enquanto os corpos se erguiam  ou tombavam por entre a névoa. Os ouvidos não pararam de ouvir.  Já tinha escurecido e estava a ficar

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<i>First Person / The Assignment</i>
Cinema e Audiovisual
Marco António

First Person / The Assignment

Porque estamos cada vez mais habituados a olhar para o mundo à nossa volta por uma de duas perspetivas — “nós” e “os outros” —, desta vez trago a este espaço dois podcasts que fazem, ainda que de forma diferente, um trabalho semelhante: olham para os dois lados e tentam que ambos se encontrem “a meio caminho” entre um e outro. Falo de First Person, da secção de Opinião do The New York Times, e

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Asininoceno
Literatura
Álvaro Domingues

Asininoceno

– Dizem que o Antropoceno, a idade geológica em que vivemos, é uma engrenagem do tamanho do mundo que funciona ao ritmo do mais desenfreado capitalismo, o mais irresponsável e autodestrutivo, o mais rapina. – Vives nesse terror, primo. Esse Antropoceno é pior que moscas nojentas a entrarem-nos pelos olhos…, mas eu tinha uma vaga ideia de que isso das idades geológicas era apenas assunto de estratigrafia, geologia, vulcões, climatologia e parque jurássico. Pelos vistos

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Prostituição de rua e casas de toleradas
Filosofia e História
Diogo Ramada Curto

Prostituição de rua e casas de toleradas

A 9 de Maio de 1947, o capitão Eurico de Castro Zuzarte concluiu o seu relatório sobre a circulação de prostitutas na cidade de Lisboa[1]. Fizera-o na sua qualidade de inspector dos Serviços de Fiscalização do Secretariado Nacional de Informação e Cultura Popular. À testa deste último organismo permanecia António Ferro, também ele interessado no assunto. Na base do relatório, estavam queixas apresentadas por diferentes tipos de comerciantes, proprietários e inquilinos. Da Rua da Glória

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Os três deslizes de Gelsomina Guelgerógio, Infeliz mãe dos irmãos Caramassófe
Literatura
Afonso de Melo

Os três deslizes de Gelsomina Guelgerógio, Infeliz mãe dos irmãos Caramassófe

1. Gelsomina Duelgerógio, do lugar de Vale de Égua, freguesia do Préstimo, deu à luz dez filhos em duas séries de cinco. Isto é: Gelsomina Duelgerógio pariu cinco gémeos em Outubro de 1973 e outros tantos em Janeiro do ano seguinte.Pode parecer estranho que uma mulher conceba assim gémeos em tão grandes quantidades num tão curto espaço de tempo. Pode parecer e, se calhar, é mesmo.Mas tudo tem explicação. Mesmo em Vale de Égua, freguesia

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Pim, pam, pum

Pim, pam, pum

Ao Afonso Praça e ao Fernando Assis Pacheco  Quando se mata, morre-se? Não. Renasce-se. Porque, na verdade, não fui eu quem morreu  há pouco, quando senti o primeiro coice a atingir-me no ombro. O dedo não parou de dar ao  gatilho, duas, três, mais vezes. Os olhos não pararam de

<i>First Person / The Assignment</i>

First Person / The Assignment

Porque estamos cada vez mais habituados a olhar para o mundo à nossa volta por uma de duas perspetivas — “nós” e “os outros” —, desta vez trago a este espaço dois podcasts que fazem, ainda que de forma diferente, um trabalho semelhante: olham para os dois lados e tentam

Asininoceno

Asininoceno

– Dizem que o Antropoceno, a idade geológica em que vivemos, é uma engrenagem do tamanho do mundo que funciona ao ritmo do mais desenfreado capitalismo, o mais irresponsável e autodestrutivo, o mais rapina. – Vives nesse terror, primo. Esse Antropoceno é pior que moscas nojentas a entrarem-nos pelos olhos…,

Prostituição de rua e casas de toleradas

Prostituição de rua e casas de toleradas

A 9 de Maio de 1947, o capitão Eurico de Castro Zuzarte concluiu o seu relatório sobre a circulação de prostitutas na cidade de Lisboa[1]. Fizera-o na sua qualidade de inspector dos Serviços de Fiscalização do Secretariado Nacional de Informação e Cultura Popular. À testa deste último organismo permanecia António

Capa do n.º 7 da Almanaque

Capa do n.º 7 da Almanaque

Capa do Nº 7 da Almanaque, Junho 2023, ilustração de Lia Ferreira e layout de João Lagido.