Sociedade

Desejos compulsivos: os recursos minerais e a transição energética
Ciências
Leonardo Azevedo

Desejos compulsivos: os recursos minerais e a transição energética

Demorei alguns anos para conseguir ter uma resposta eficaz, engatilhada, à simples, mas frequente questão: ‘O que é que tu fazes?’. Em resposta, facilmente me perdia nos detalhes e deixava de parte o essencial. As expressões de confusão, e repetidamente de aborrecimento, encontradas no outro interlocutor deixavam-me frequentemente frustrado e com o sentimento de que tinha falhado naquilo que deveria ser a minha missão mais simples, comunicar o que é o meu trabalho de forma

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A Maravilhosa Aritmética da Igualdade (de A a Z) #4
Ciências
Luisa Semedo

A Maravilhosa Aritmética da Igualdade (de A a Z) #4

Nota Introdutória.   A (cont.)   Androcentrismo    “Todos os psicólogos que estudaram a inteligência das mulheres reconhecem que elas representam as formas mais inferiores da evolução humana e estão mais próximas das crianças e dos selvagens do que do homem civilizado. Elas têm a inconstância, a falta de reflexão, a incapacidade para raciocinar. Nas raças mais inteligentes, como os parisienses, existe uma proporção notável da população feminina cujos crânios se aproximam mais pelo seu

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Isto anda tudo ligado # 5
Política e Economia
Margarida Davim

Isto anda tudo ligado # 5

IA, Inevitabilidade Artificial A política é inseparável da acção. Quando intervimos no mundo, agimos politicamente. As nossas escolhas, mesmo que condicionadas por circunstâncias que não controlamos, produzem efeitos políticos. Isso acontece porque somos animais com capacidade de consciência e porque encontrámos formas de organização comum que se baseiam em entendimentos, tensões e relações de força. A forma como se hierarquizam valores ou se privilegiam determinados tipos de organização em relação a outros é a essência

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Tem actualizações pendentes
Filosofia e História
Manuel Arriaga

Tem actualizações pendentes

Gosto de democracia e dedico uma parte substancial do meu tempo a essa causa. Mas, regra geral, aborreço-me ao ler textos sobre ela. Tal como a maior parte das abstracções que reúnem simpatia generalizada entre o público, o tema é um “clássico” para a escrita de textos quando a inspiração escasseia. No artigo deste mês para a Almanaque, vou viver perigosamente. 1. Entre o tanto que se escreve sobre a democracia, raras são as ocasiões

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Do fim do mundo às portas do Éden: a ascensão de Gabriel Boric
Filosofia e História
Gonçalo Carvalho Amaro

Do fim do mundo às portas do Éden: a ascensão de Gabriel Boric

Texto de Gonçalo de Carvalho Amaro, autor convidado. _   Não foram 30 pesos, foram 30 anos Por volta das onze da noite de 17 de dezembro de 2017, perante um Sebastián Piñera sorridente, um grupo de chilenos entoava o hino do Chile: “Puro, Chile, es tu cielo azulado; puras brisas te cruzan también; y tu campo de flores bordado; es la copia feliz del Edén…”. Seria agora que o Chile se tornaria no paraíso,

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Mandar até quando?
Filosofia e História
Gonçalo Calado

Mandar até quando?

Com a desagregação da União Soviética pelo início dos anos noventa do séc. XX, Cuba passou mal, naquilo que ficou conhecido como o período especial. Alguns tentaram a todo o custo sair da ilha. Os que ficaram passaram mal, ou pelo menos pior do que estavam antes. Os mais velhos tiveram mais tolerância. Os mais novos menos. As manifestações de protesto na marginal de Havana ficaram famosas, embora menos do que a crise dos balseros.

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<i>First Person / The Assignment</i>
Cinema e Audiovisual
Marco António

First Person / The Assignment

Porque estamos cada vez mais habituados a olhar para o mundo à nossa volta por uma de duas perspetivas — “nós” e “os outros” —, desta vez trago a este espaço dois podcasts que fazem, ainda que de forma diferente, um trabalho semelhante: olham para os dois lados e tentam que ambos se encontrem “a meio caminho” entre um e outro. Falo de First Person, da secção de Opinião do The New York Times, e

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Prostituição de rua e casas de toleradas
Filosofia e História
Diogo Ramada Curto

Prostituição de rua e casas de toleradas

A 9 de Maio de 1947, o capitão Eurico de Castro Zuzarte concluiu o seu relatório sobre a circulação de prostitutas na cidade de Lisboa[1]. Fizera-o na sua qualidade de inspector dos Serviços de Fiscalização do Secretariado Nacional de Informação e Cultura Popular. À testa deste último organismo permanecia António Ferro, também ele interessado no assunto. Na base do relatório, estavam queixas apresentadas por diferentes tipos de comerciantes, proprietários e inquilinos. Da Rua da Glória

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Da série personagens do meu país (3) : Joaquim de Carvalho
Literatura
Filipe Nunes Vicente

Da série personagens do meu país (3) : Joaquim de Carvalho

Nome incontornável da poesia portuguesa da segunda metade do século XX, não recebeu o reconhecimento merecido por motivos insondáveis. Relacionou-se com grandes poetas e escritores da sua geração e parecia lançado para o panteão da memória literária nacional, mas a sua obra é hoje  encontrada apenas em  alguns  alfarrabistas de província.  Joaquim Jesus de Carvalho nasceu em Seixas, Caminha, em 1945, numa família de comerciantes abastados. O pai e o avô compravam vinho verde e

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Acabe-se com a ideia da presunção de inocência
Sociedade
Vasco M. Barreto

Acabe-se com a ideia da presunção de inocência

O título é clickbait. Ninguém quer acabar com a presunção de inocência enquanto alicerce do Estado de Direito. Mas espero convencer o leitor de que não uso este truque de modo gratuito, pois o título é uma crítica ao habitual lembrete sobre a presunção de inocência que o fazedor de opinião lusitano sempre apresenta antes de nos dar a substância do seu comentário, que é – invariavelmente  – uma violação da presunção de inocência que

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Desejos compulsivos: os recursos minerais e a transição energética

Desejos compulsivos: os recursos minerais e a transição energética

Demorei alguns anos para conseguir ter uma resposta eficaz, engatilhada, à simples, mas frequente questão: ‘O que é que tu fazes?’. Em resposta, facilmente me perdia nos detalhes e deixava de parte o essencial. As expressões de confusão, e repetidamente de aborrecimento, encontradas no outro interlocutor deixavam-me frequentemente frustrado e

A Maravilhosa Aritmética da Igualdade (de A a Z) #4

A Maravilhosa Aritmética da Igualdade (de A a Z) #4

Nota Introdutória.   A (cont.)   Androcentrismo    “Todos os psicólogos que estudaram a inteligência das mulheres reconhecem que elas representam as formas mais inferiores da evolução humana e estão mais próximas das crianças e dos selvagens do que do homem civilizado. Elas têm a inconstância, a falta de reflexão,

Isto anda tudo ligado # 5

Isto anda tudo ligado # 5

IA, Inevitabilidade Artificial A política é inseparável da acção. Quando intervimos no mundo, agimos politicamente. As nossas escolhas, mesmo que condicionadas por circunstâncias que não controlamos, produzem efeitos políticos. Isso acontece porque somos animais com capacidade de consciência e porque encontrámos formas de organização comum que se baseiam em entendimentos,

Tem actualizações pendentes

Tem actualizações pendentes

Gosto de democracia e dedico uma parte substancial do meu tempo a essa causa. Mas, regra geral, aborreço-me ao ler textos sobre ela. Tal como a maior parte das abstracções que reúnem simpatia generalizada entre o público, o tema é um “clássico” para a escrita de textos quando a inspiração

Do fim do mundo às portas do Éden: a ascensão de Gabriel Boric

Do fim do mundo às portas do Éden: a ascensão de Gabriel Boric

Texto de Gonçalo de Carvalho Amaro, autor convidado. _   Não foram 30 pesos, foram 30 anos Por volta das onze da noite de 17 de dezembro de 2017, perante um Sebastián Piñera sorridente, um grupo de chilenos entoava o hino do Chile: “Puro, Chile, es tu cielo azulado; puras

Mandar até quando?

Mandar até quando?

Com a desagregação da União Soviética pelo início dos anos noventa do séc. XX, Cuba passou mal, naquilo que ficou conhecido como o período especial. Alguns tentaram a todo o custo sair da ilha. Os que ficaram passaram mal, ou pelo menos pior do que estavam antes. Os mais velhos

<i>First Person / The Assignment</i>

First Person / The Assignment

Porque estamos cada vez mais habituados a olhar para o mundo à nossa volta por uma de duas perspetivas — “nós” e “os outros” —, desta vez trago a este espaço dois podcasts que fazem, ainda que de forma diferente, um trabalho semelhante: olham para os dois lados e tentam

Prostituição de rua e casas de toleradas

Prostituição de rua e casas de toleradas

A 9 de Maio de 1947, o capitão Eurico de Castro Zuzarte concluiu o seu relatório sobre a circulação de prostitutas na cidade de Lisboa[1]. Fizera-o na sua qualidade de inspector dos Serviços de Fiscalização do Secretariado Nacional de Informação e Cultura Popular. À testa deste último organismo permanecia António

Da série personagens do meu país (3) : Joaquim de Carvalho

Da série personagens do meu país (3) : Joaquim de Carvalho

Nome incontornável da poesia portuguesa da segunda metade do século XX, não recebeu o reconhecimento merecido por motivos insondáveis. Relacionou-se com grandes poetas e escritores da sua geração e parecia lançado para o panteão da memória literária nacional, mas a sua obra é hoje  encontrada apenas em  alguns  alfarrabistas de

Acabe-se com a ideia da presunção de inocência

Acabe-se com a ideia da presunção de inocência

O título é clickbait. Ninguém quer acabar com a presunção de inocência enquanto alicerce do Estado de Direito. Mas espero convencer o leitor de que não uso este truque de modo gratuito, pois o título é uma crítica ao habitual lembrete sobre a presunção de inocência que o fazedor de