Sociedade

«Humoristas de sucesso? São os gurus de um novo e necessário culto.»
Artes Performativas
André Canhoto Costa

«Humoristas de sucesso? São os gurus de um novo e necessário culto.»

Entrevistámos Pedro Reis Sabido, investigador do Ralston College, especialista em Estudos Portugueses e Brasileiros e Literatura Africana Lusófona, a propósito dos limites do humor e outras questões de linguagem. Falámos sobre os bobos de Shakespeare, os Beatles, o império da família Balsemão (adeus empregos na IMPRESA), gladiadores, gurus espirituais, e ainda, como não podia deixar de ser, o ChatGPT.             A polémica sobre os problemas da linguagem e os limites do humor não parece abrandar,

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Corvos imaginários, papagaios estocásticos e outros animais que falam
Ciências
Manuel Arriaga

Corvos imaginários, papagaios estocásticos e outros animais que falam

Há algo de desconcertante em finalmente existir uma máquina capaz de manter um diálogo coerente e informado sobre quase qualquer tópico. As experiências de quem já experimentou usar o ChatGPT (ou sistemas semelhantes) têm levantado questões sobre se estes sistemas poderão (vir a) ter consciência — e, mais fundamentalmente, sobre o que é a consciência. Neste artigo vou apresentar algumas ideias em torno deste tema, tentando ir um pouco além das discussões que geralmente encontramos

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Na Era do Zettabyte, pt.1: Em toda a parte e em parte alguma
Filosofia e História
José Carlos Fernandes

Na Era do Zettabyte, pt.1: Em toda a parte e em parte alguma

Nas televisões, nas newsletters digitais dos jornais, nos news feeds, nos posts, tweets e vídeos nas redes sociais, nos websites dos agregadores de conteúdos, em e-mails reenviados em massa, em split-screen, em janelas pop-up e deslizando em rodapé no écran, desfilam, ininterruptamente e sem ordem, hierarquia ou nexo, atentados terroristas, penáltis por assinalar, interpelações ao Governo pelos partidos da oposição, a fome no Corno de África, a atribuição anual de “estrelas” a estabelecimentos de restauração

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O ciúme, autópsia breve
Ciências
Inês Narciso

A polarização do discurso sobre a regulação das plataformas só as beneficia a elas

No início do ano em que se assinala a entrada em vigor do Digital Services Act – uma lei europeia de regulação das redes sociais –, o Presidente da Assembleia de República (PAR) provocou reações em diversos quadrantes políticos na sequência das suas declarações sobre o desafio que as redes sociais representam para as democracias.   Augusto Santos Silva destacou que “a  imediaticidade da comunicação, a tendência ao tribalismo, a polarização, a dispensa da mediação

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Isto anda tudo ligado #4
Filosofia e História
Margarida Davim

Isto anda tudo ligado #4

O fim da imaginação A imaginação é essencial à política. Só faz sentido agir politicamente quando se acredita que há a possibilidade de mudar o mundo. A ideologia é, em certo sentido, um mapa para se chegar a uma forma de sociedade imaginada que acreditamos ser a melhor. Mesmo os mais conservadores estão agarrados a uma ideia imaginária sobre outro mundo possível que pode ou não ter já existido. Não faz sentido desligar o exercício

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Paul Auster, desarmante
Filosofia e História
António Araújo

Paul Auster, desarmante

         Enquanto comecei a pensar neste texto e depois o escrevi, ocorreu mais um grande massacre nos Estados Unidos, daqueles cuja notícia corre o mundo e atravessa o Atlântico, seja pelo número inusitado de mortos, seja pela idade precoce das vítimas, seja, enfim, por um qualquer pormenor mais horrível e escabroso, que as agências e os jornalistas consideram ser digno de realce, porque, e apenas porque, será impressionante para um auditório sedento de ser impressionado.

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A Cultura confinada no Castelo
Artes Performativas
Gonçalo Carvalho Amaro

A Cultura confinada no Castelo

Texto de Gonçalo de Carvalho Amaro, autor convidado. _ Uma Cultura medievalizante? Em 1922, numa Áustria ainda a recuperar do fim do império, cerca de duas décadas após a obra seminal de Riegl, O Culto Moderno dos Monumentos, Franz Kafka, já debilitado, escrevia O Castelo, um dos melhores retratos sobre a burocracia e como a mesma pode ser, ao mesmo tempo, uma arma contra a Cultura e um instrumento para quem aprecia o controlo férreo e integral

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<i>Habla comigo</i>
Ciências
Filipe Nunes Vicente

Habla comigo

Cidades, muros (urbs), igrejas, religiões, livros impressos, estradas, navios, comboios, telégrafo, telefone, carros, aviões, autoestradas, internet, telemóveis. Tudo o que temos feito é para comunicar, cada vez mais, uns com os outros. Não por acaso, somos o animal mais aperfeiçoado na arte da carnificina. Esta natureza obsediante rima com intrigante. Os elefantes vivem em grupos estáveis e se é certo que de vez em quando fazem uns congressos, mantêm o grupo. Os leopardos, ao contrário

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Weimar #9
Literatura
José Gardeazabal

Weimar #9

MANUTENÇÃO – PRAZERES PROIBIDOS  – SUPERMERCADO – INFLAÇÃO – BIBLIOTECA MANUTENÇÃO   O único motor do navio não tinha Manutenção há dois mil anos. O navio metia água e os animais estavam inquietos, os que ainda tinham coragem para embarcar. Um par de passarinhos desanimava, vários casais de insetos e um de leões ensaiavam pequenos e grandes motins e um sargento da marinha vestiu umas botas para a chuva. O mais preocupante foi a recusa

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Comida: o resto é paisagem
Boa Vida
Gonçalo Calado

Comida: o resto é paisagem

Poucas coisas terão mudado mais a paisagem do que a obtenção de alimentos pela nossa espécie. A termodinâmica não perdoa: ou entra energia de alta qualidade no sistema – no nosso caso sob a forma de alimentos – ou isto não resulta. Primeiro, a deslocação dos grupos de caçadores–recoletores, e depois, numa escala muito maior, as práticas agrícolas abriram caminho à sedentarização e à vida em aglomerados populacionais maiores, associada a uma enorme transformação da

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«Humoristas de sucesso? São os gurus de um novo e necessário culto.»

«Humoristas de sucesso? São os gurus de um novo e necessário culto.»

Entrevistámos Pedro Reis Sabido, investigador do Ralston College, especialista em Estudos Portugueses e Brasileiros e Literatura Africana Lusófona, a propósito dos limites do humor e outras questões de linguagem. Falámos sobre os bobos de Shakespeare, os Beatles, o império da família Balsemão (adeus empregos na IMPRESA), gladiadores, gurus espirituais, e

Corvos imaginários, papagaios estocásticos e outros animais que falam

Corvos imaginários, papagaios estocásticos e outros animais que falam

Há algo de desconcertante em finalmente existir uma máquina capaz de manter um diálogo coerente e informado sobre quase qualquer tópico. As experiências de quem já experimentou usar o ChatGPT (ou sistemas semelhantes) têm levantado questões sobre se estes sistemas poderão (vir a) ter consciência — e, mais fundamentalmente, sobre

Na Era do Zettabyte, pt.1: Em toda a parte e em parte alguma

Na Era do Zettabyte, pt.1: Em toda a parte e em parte alguma

Nas televisões, nas newsletters digitais dos jornais, nos news feeds, nos posts, tweets e vídeos nas redes sociais, nos websites dos agregadores de conteúdos, em e-mails reenviados em massa, em split-screen, em janelas pop-up e deslizando em rodapé no écran, desfilam, ininterruptamente e sem ordem, hierarquia ou nexo, atentados terroristas,

Isto anda tudo ligado #4

Isto anda tudo ligado #4

O fim da imaginação A imaginação é essencial à política. Só faz sentido agir politicamente quando se acredita que há a possibilidade de mudar o mundo. A ideologia é, em certo sentido, um mapa para se chegar a uma forma de sociedade imaginada que acreditamos ser a melhor. Mesmo os

Paul Auster, desarmante

Paul Auster, desarmante

         Enquanto comecei a pensar neste texto e depois o escrevi, ocorreu mais um grande massacre nos Estados Unidos, daqueles cuja notícia corre o mundo e atravessa o Atlântico, seja pelo número inusitado de mortos, seja pela idade precoce das vítimas, seja, enfim, por um qualquer pormenor mais horrível e

A Cultura confinada no Castelo

A Cultura confinada no Castelo

Texto de Gonçalo de Carvalho Amaro, autor convidado. _ Uma Cultura medievalizante? Em 1922, numa Áustria ainda a recuperar do fim do império, cerca de duas décadas após a obra seminal de Riegl, O Culto Moderno dos Monumentos, Franz Kafka, já debilitado, escrevia O Castelo, um dos melhores retratos sobre a burocracia

<i>Habla comigo</i>

Habla comigo

Cidades, muros (urbs), igrejas, religiões, livros impressos, estradas, navios, comboios, telégrafo, telefone, carros, aviões, autoestradas, internet, telemóveis. Tudo o que temos feito é para comunicar, cada vez mais, uns com os outros. Não por acaso, somos o animal mais aperfeiçoado na arte da carnificina. Esta natureza obsediante rima com intrigante.

Weimar #9

Weimar #9

MANUTENÇÃO – PRAZERES PROIBIDOS  – SUPERMERCADO – INFLAÇÃO – BIBLIOTECA MANUTENÇÃO   O único motor do navio não tinha Manutenção há dois mil anos. O navio metia água e os animais estavam inquietos, os que ainda tinham coragem para embarcar. Um par de passarinhos desanimava, vários casais de insetos e

Comida: o resto é paisagem

Comida: o resto é paisagem

Poucas coisas terão mudado mais a paisagem do que a obtenção de alimentos pela nossa espécie. A termodinâmica não perdoa: ou entra energia de alta qualidade no sistema – no nosso caso sob a forma de alimentos – ou isto não resulta. Primeiro, a deslocação dos grupos de caçadores–recoletores, e